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Dói. Tem tempo que não escrevo, e isso é estranho para mim. Sabe, desde que aprendi que a escrita era importante para mim, percebi que ela não era só isso, ela me mantinha viva, porque através dela eu contava tudo o que sentia. Mesmo por trás das histórias fantasiosas, os dramas e romances que tentei escrever. Okay, esse não é o ponto, hoje é dia 30 de Dezembro de 2020, e estou vivendo um inferno. Na verdade, um dilema. Não posso reclamar porque existem muitas pessoas que estão pior, mas mesmo assim, eu olho para mim mesma, e a única coisa que consigo sentir é pena. Estou acabada. Tanto fisicamente, quanto psicologicamente. Esse ano eu tentei me matar, cheguei a tomar 17 remédios por dia. Fui a tantas consultas que perdi a conta. Briguei tantas vezes com minha mãe e a fiz chorar tantas vezes que não dá para imaginar um número. Eu me derramei em lágrimas que poderia alimentar uma hidrelétrica se juntasse tudo. Eu passei por tudo sozinha, porque não queria contar aos meus amigos que eu estava doente. Eu cheguei a ficar duas semanas sem encostar no celular para quem era uma viciada. Eu pensei que gostava de alguém, mas não gostava. Mas eu encontrei alguém que eu consigo olhar com os olhos brilhantes, mas essa pessoa não dá a mínima para mim. Então, eu convivo com isso. Convivo com as crises, com os remédios de cada dia, com a dor de olhar o celular e ver que ninguém lembrou de mim nem no Natal. Mas o que eu posso fazer? Eu tenho tanto medo de deixar essa doença me levar e parar no tempo, acaba não realizando nada do que sonhei para minha vida, isso me aterroriza. Eu já li tantos livros na vida, de mocinhas vencendo seus medos e encontrando apoio no amor de suas vidas, mas aqui é vida real, essa merda não acontece comigo, ou sei lá com qualquer um. E enquanto eu passeio em shoppings, praias, e me passo por corajosa, extrovertida e de espírito livre eu morro por dentro aos poucos. Eu não me encaixo nos padrões perfeitos da sociedade para ajudar também, estou sendo irônica nessa frase. Eu só queria o abraço certo, da pessoa certa, que eu não sei quem é. Eu passo mal, eu fico tonta, eu tenho ataques de ansiedade em lugares lotados de gente. Agora, enquanto eu olho pelas luzes da cortina do meu quarto, eu não consigo imaginar mais nada além de não querer estar viva. Eu queria estar no lugar dos meus sonhos, onde ninguém pudesse me alcançar. Onde eu não sentisse falta ou necessidade de ter ninguém. Enfim, se eu ainda estiver viva daqui a algum tempo, e eu for reler esse texto, espero que eu esteja melhor. Apesar de acabada, ainda tenho esperanças.
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