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 Dear future, 


Eu simplesmente não sei o que esperar de você. E uau, isso vindo de alguém como eu deve soar como loucura. Eu sempre preparei tudo, mesmo anos antes, meses, dias. Não sou o tipo de pessoa que gosta de estar fora do controle das situações da minha vida. Porém, ser diagnosticada com Borderline mudou isso. Eu percebi que eu posso me afogar, e corro sério risco de isso acontecer para sempre. Eu estou praticando ter uma nova visão da vida. Porque como diz uma música que estou viciada nos últimos dias, o que não te mata, te deixa mais forte. 

Eu parei para me perguntar o que eu quero, porque afinal, mesmo tendo tudo perfeitamente planejado eu não sabia o que queria, e isso soa estranho, porque no mínimo eu deveria ser alguém decidida. E, em todos os planos que eu fazia para mim mesma na minha cabeça, todos eles tinham uma coisa em comum, eu quero sair. Sair dessa cidade, desse bairro, desse estado, e se for possível o mais rápido possível desse país. A viagem que fiz de Natal para Ilhéus BA me ensinou uma coisa, na verdade, voltar para casa me ensinou uma coisa, eu não sirvo para ficar em um lugar para sempre. Pode ser que um dia eu queira estar em um lugar aconchegante para chamar de meu para sempre, mas por enquanto meu espírito livre me chama, e parece que o mundo grita meu nome. Eu preciso conhecer o que existe lá fora. Mas para isso acontecer, existe o tempo. Primeiro eu tenho que terminar o ensino médio, passar em uma faculdade, e eu vou tentar algumas fora do país e vai que dá certo? Quanto a qual faculdade quero fazer, isso ainda me confunde bastante. Eu fiquei apaixonada por biomedicina, e o que eu seria capaz de ser e fazer se fosse a Dr. Mas a carreira de jornalista, a chance de viajar mais, de ficar mais próxima da escrita ainda é uma das minhas maiores opções e eu não desisti dela. 

Bom, seja lá o que seja de mim nesse ano de 2021, tomando esses remédios, enfrentando esse transtorno, eu acredito que preciso focar no exterior. No que existe fora da minha bolha. Na bolha de medo que eu me pus dentro desde que comecei os tratamentos. Eu tinha, na verdade ainda tenho tanto medo desse transtorno estragar a vida perfeita que eu poderia ter que eu afundei o mais profundo na solidão, e na tristeza. 

Mas uma pessoa sábia me disse que a gente deve focar no que existe de bom no mundo. Se preocupar em fazer bem aos outros ao nosso redor, e o que as pessoas fizerem a você, elas mesmas terão o que merecem, eu não preciso me preocupar com isso. Obrigado irmão, por essa conversa, ela realmente mudou minha vida. 

Eu tinha tudo sob controle, e minhas ações, naquele dia, mudaram toda minha vida. 

O que eu vou fazer agora? 

Eu não sei. Quando eu olho para o céu, e vejo as nuvens, eu consigo pensar que poderia fazer isso a vida inteira. E deixar minhas lágrimas serem levadas pelo tempo. Uau, é maluco ter 17 anos! 

A culpa dos pensamentos de que era para eu estar vivendo a melhor época da minha vida nesses anos não pesa mais nos meus ombros. Ah qual é, eu tenho a vida inteira! 

Deus cuida de mim de tal maneira que é apenas por causa dele que ainda estou viva. 

Eu ainda vou vivenciar muitas coisas, ter muitas histórias para contar. Sobre amizades, sobre piqueniques na praia ao luar e violão. E por mais que ainda não tenha chegado, ainda vou ter uma história de amor para contar. Sendo ela trágica ou não, acredito que tudo tem seu toque mágico e especial. 

Por enquanto, eu não quero viver como uma garotinha assustada. 


Dear future, eu ainda não sei o que vai ser de mim em você. Mas vou amar descobrir. 


2 de janeiro/2021


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